Até ontem, quando alguém me perguntava se eu acreditava em super-heróis, eu ria da cara das pessoas, falava que não, e achava a maior bobagem. Hoje, tudo ficou diferente.
Meu nome é Carlos Gabriel. Biel, se preferir.
Hoje, estou muito assustado. Muito mesmo. Fui na padaria, apenas comprar leite, para o bolo que minha mãe queria fazer. Mas assisti cenas simplesmente horríveis.
A padaria, fica a uns 3 quarteirões daqui. Não é muito longe. Mas hoje, pareceu uma eternidade.
No primeiro quarteirão, avistei uma velinha sendo assaltada. Uma cena chocante. O assaltante chegou a cuhtá-la, batê-la... e só para pegar sua bolsa.
Minha vontade, foi de sair correndo atrás daquele cara. Um ser sem coração. Mas do que adiantaria? Era mais fácil eu ajudar aquela senhora, que estava realmente precisando de mim. Eu gritava muito, pedindo ajuda, pois o que eu, um garoto de 10 anos poderia fazer? Mas ninguém, nenhuma pessoa poderia parar para ajudar aquela senhora.
Até que passou lá um jovem. Parecia ter cerca de 20 anos. O pai dele, trabalhava no hospital da cidade. Ele colocou a senhora no carro, e levou-a até lá. Fiquei um pouco assustado com aquela cena, mas continuei meu caminho até à padaria.
No segundo quarteirão... O que foi aquilo? Parecia o mesmo cara. O mesmo ser sem coração. Mas agora, o covarde resolveu escolher uma criança como vítima. Uma menininha. Devia ter 7 anos. Carregava R$20,00 na bolsinha. E aquele homem fez questão de roubá-la. Fez questão de traumatizar a mente de uma criancinha. Apenas uma criancinha.
Eu estava chocado. Não acreditei no que eu estava vendo. Todos passando, correndo muito, a criança chorando, e ninguém sequer olhava para ela.
Até que, uma mulher passou. Ela segurou a criança no colo. Perguntou-lhe se sabia onde morava, seu telefone, coisas do tipo. E levou-a para a casa da menina.
Fiquei com aquela imagem na minha cabeça... Mas fui para a padaria.
Lá, comprei o que minha mãe precisava. Voltei para casa. Não percebi nada ao meu redor, no caminho. Só estava com aquelas imagens na minha cabeça. O rosto daquele homem, não parava de pensar nisso...
Cheguei em casa. Apenas entreguei o leite pra minha mãe e fui para o quarto. Estava assustado, chocado, traumatizado... Mas além daquelas imagens terríveis, aquele rosto horroroso... Outra coisa também não saía da minha cabeça: eu nunca acreditei em super-heróis. Mas hoje, descobri que eles existem sim. Não aqueles com capas e super poderes... Mas aqueles que conseguem pensar não apenas em si próprios, mas nas pessoas ao seu redor que necessitam de ajuda.
Iara Santos
Fevereiro de 2009
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