domingo, 1 de março de 2009

O cão que virou notícia

Um cão. Apenas um cão. E que virou notícia. Pobre Bob... Um cãozinho que não faz mal a ninguém... Pelo contrário, taxistas afirmam que o cão ajuda a proteger o ponto de táxi. Mas a população insiste em retirá-lo de seu ´´lar``.
Bob vivia em um ponto de táxi há nove anos. Por que tirá-lo dali? Levá-lo para onde? O que fazer com ele?
Moradores argumentam que o cão já havia atacado e corrido atrás de outras pessoas. Claro! As pessoas foram mexer com ele... Se deixassem Bob simplesmente quietinho em seu canto, sem perturbá-lo, o cachorro ainda estaria lá hoje, tranqüilo e acomodado.
Um cachorro que vive há tantos anos em um mesmo local, não se adapta a outro ambiente muito diferente. Bob já está acostumado com o barulho, as pessoas... É provável que se for morar em outro local, não se adapte e possa morrer.
Bob deveria continuar no ponto de táxi, local onde já se adaptou, e vivia há tanto tempo.
Além de tudo, já é um cachorro velho. Não viverá por mais muito tempo. Deixem pelo menos ele viver seus últimos anos de vida no local que já está acostumado e feliz.
E pensem bem...Tantas coisas ruins acontecendo no nosso mundo, tantos marginais, traficantes soltos por aí, e as pessoas vão se queixar de um cachorro?
Quantos cachorros vivem soltos por aí e as pessoas não fazem nada... Vão reclamar de um cachorro que está habituado ao local em que vive há nove anos?
Deixo aqui minha indignação com a atitude dos moradores. Ora, os incomodados que se retirem! Mas que deixem o cãozinho viver em seu lar.
Iara A. Santos
27/2/2009

Meedo!!

_Mas mãe, vocês tem mesmo que ir?
_Letícia, você sabe que temos que ir. É uma peça imperdível, e importante para o trabalho de seu pai.
_Mas mãe...
_Chega de mais! Seu irmão estará aqui com você. E além disso, o seu primo Marcelo chegará daqui a pouco. Fique tranqüila, filha... Você estará muito segura aqui em casa.
_E que horas vocês voltam? _pergunta o irmão_
_Pedro, a peça é muito demorada. Mas por volta de meia-noite e meia estaremos aqui novamente!
_Só meia-noite? Mãe, eu não gosto deste horário. Tenho muito medo!!_diz Letícia_
_Letícia, não seja boba, minha filha. É só lembrar-se das recomendações de sempre: não abra a porta para estranhos, não pense em coisas ruins, não dê nenhuma informação à ninguém, não saia de casa... E principalmente: não fale a ninguém que vocês estarão sozinhos.
_Que horas o Marcelo chegará?_pergunta Pedro_
_Daqui a pouco, filho... Não fiquem preocupados, passará mais rápido do que vocês imaginam. Bem, está dando a nossa hora. Temos que ir, queridos, mais tarde estaremos aqui novamente.
_Tchau, mãe!!_respondem os filhos, muito tristes e preocupados_
Pedro e Letícia não gostam de ficar sozinhos. Mas naquela noite, aquilo seria necessário. Os pais haviam saído para assistirem uma importante peça de teatro. E só voltariam muito, muito tarde.
Após algum tempo, Marcelo, o primo das crianças havia chegado. Assim como Pedro, Marcelo tinha doze anos. Letícia, apenas dez.
_Marcelo, o que vamos fazer?_pergunta Pedro_
_Ah, Marcelo, deixa de bobagem... Podemos fazer o que quisermos!!_respondeu Marcelo.
A noite estava sombria. Chovia bastante. O céu estava muito escuro. O barulho dos trovões, assustava cada vez mais a pequena Letícia.
Por volta de dez horas, as crianças foram se deitar. Resolveram dormir todas no mesmo quarto.
_E aí, quem vai apagar a luz?_pergunta Pedro._
_Que bobagem, Pedro! Eu mesmo vou!!_responde Marcelo, muito confiante.
Mas, antes de Marcelo se levantar, a luz se apaga, sozinha.
_ Deve ter sido um pico de energia._diz Marcelo_
_ Não, não foi!_responde Letícia com a voz trêmula_ O ar-condicionado ainda está ligado!
_Então, a luz deve ter queimado. Oras, Letícia, vamos dormir!_responde Marcelo, muito grosso._
Era o que os três mais queriam: dormir. Mas como? Todas os móveis do quarto estavam estalando. A luz, estava piscando. E Letícia enxergava bem ao seu lado, um vulto branco se mexendo.
_Socorro!!! Um fantasma!!!!_grita a menina_
_Lê, não é um fantasma! É apenas minha toalha pendurada na janela e se movendo com a ajuda do vento!_disse Pedro_
_Mas parecia ser tão real...Tudo bem, vamos dormir então...
Após vinte minutos, Letícia reclama estar com fome. Mas a cozinha era no primeiro andar da casa. Eles estavam no terceiro. E ninguém queria arriscar. Até Marcelo, metido a corajoso, estava com medo. Mas não admitiu, claro. Usou a desculpa de que estava com sono.
_Por favor, Pedrinho, vai lá pra mim..._implorou Letícia
_ Ah, Lê... Só vou se você e o Marcelo forem também._disse Pedro_
E lá estavam os três, descendo a escada pé ante pé, até que...
_ Pedro, eu vi alguma coisa mexendo ali na cozinha!_disse Lê.
_É, eu também vi, Lê. Você viu, Marcelo?
_Que bobagem, aposto que não é nada de mais!!
_Ah, é? Vai lá então, macho! E traz os biscoitos da Lê. Estaremos lá no quarto te esperando._Pedro disse, um pouco invocado.
_Calma, esperem aí, gente! Não subam não!!_gritou Marcelo_
Mas, já era tarde de mais. E Marcelo não poderia voltar sem os biscoitos. E agora?
Marcelo, com muito medo, entra na cozinha. Mas quando abre a porta da geladeira... Um vulto passa por ele. O garoto, sai correndo, entra no quarto, fecha a porta, e começa a chorar. Chora muito, muito, muito. Estava assustado, pálido, tremendo, arrepiado, suando frio.
Os três estavam muito assustados. Letícia já estava desesperada e chorando muito também.
Passaram-se dois minutos e o telefone tocou. É claro que ninguém atendeu. Estavam com muito medo. Mas o que mais preocupava as três crianças, era a hora. Faltavam quinze minutos para uma hora. E os pais de Pedro e Letícia nem haviam dado sinal.
Pedro resolveu ir lá fora para ver se os pais estavam por ali. Ele estava no terceiro andar. Quando chegou ao segundo... O que era aquilo? Uma risada muito alta e medonha. Pedro não sabia o que fazer, estava muito escuro... Ao subir a escada correndo, tropeçou e caiu. Torceu o pé, não conseguia levantar.
Após alguns minutos, no quarto, Letícia já estava desesperada. Onde estava Pedro? E agora, o que faria? A garotinha estava muito preocupada, e resolveu procurá-lo. Com a ajuda de Marcelo, claro.
Quando estavam descendo as escadas, encontraram Pedro caído no chão. E ouviram as risadas também. Marcelo estava passando mal novamente, e Letícia, chorando muito. Apoiado nos dois, Pedro conseguiu subir as escadas e entrar no quarto novamente.
Quinze minutos depois, os pais de Pedro e Letícia haviam chegado. Foram rapidamente para o quarto e deram um abraço nos filhos e no sobrinho. Depois de ouvirem toda a história, resolveram desvendar aquele mistério.
Descobriram que as risadas eram da televisão que haviam deixado ligada. E o vulto, era apenas o cachorrinho da família, Tob. A luz estava piscando apenas por mal contato. E os pais demoraram a chegar, porque ficaram presos em um engarrafamento. E sabe o telefone tocando? Eram eles, avisando que demorariam um pouco.
Após aquele dia, Marcelo, Pedro e Letícia aprenderam que não precisam ter medo de tudo, e que, a imaginação faz com que eles tenham ainda mais medo. Aprenderam também que é muito importante obedecer seus pais. E entenderam que tudo tem uma causa, e que descobri-la não é tão difícil quanto parece.




Iara Santos
Fevereiro de 2009